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O assunto da perfeição cristã passou a ter certo destaque nos últimos tempos. A Igreja Adventista do Sétimo Dia crê na perfeição cristã. O livro Nisto Cremos – 28 ensinos bíblicos dos adventistas do sétimo dia (nas páginas 160 a 165) detalha o que cremos em relação a esse assunto. Mas, para que possamos entender melhor a amplitude do tema da perfeição, vou introduzir com os textos abaixo, de Ellen White:

“Devemos lembrar que nossos próprios caminhos não são perfeitos. Cometemos repetidamente erros. [...] Ninguém, senão Jesus, é perfeito” (Para Conhecê-Lo [MM 1965], p. 136).

“Ele [Jesus] é um perfeito e santo Exemplo, dado a nós para imitação. Não podemos nos igualar ao Modelo; mas não seremos aprovados por Deus se não O imitarmos e nos assemelharmos a Ele, de acordo com a capacidade que o Senhor nos dá” (Testemunhos Para a Igreja, v. 2, p. 549).

Os textos demonstram claramente que Jesus é o exemplo de perfeição que devemos seguir, mas que não podemos igualar esse modelo perfeito. Podemos, sim, ser perfeitos em nossa esfera, assim como Deus é perfeito na esfera dEle. Um bebê, mesmo não conseguindo se alimentar sozinho e com tantas outras limitações comuns da idade, não deixa de ser perfeito por causa disso. Porém, conforme o tempo vai passando, esse mesmo bebê passa a desenvolver maior autonomia. Se, passados cinco anos, o bebê estiver se comportando como quando tinha dois, com certeza não seria mais considerado perfeito. A perfeição exige crescimento.

Ellen White fala sobre os níveis de perfeição: “Mediante a obediência vem a santificação do corpo, alma e espírito. Esta santificação é um processo progressivo e uma subida de um nível de perfeição para outro” (Minha Consagração Hoje [MM], p. 250).

Observe o gráfico abaixo. Lembre-se de que ele é apenas ilustrativo. Gradualmente, Deus vai nos capacitando a nos assemelharmos ao Modelo. Chamamos isso de “justiça comunicada”. Jamais igualaremos o Modelo perfeito que é Jesus. O que faltar, Deus suprirá a deficiência. Em outras palavras, Deus completará tudo que faltar. Chamamos isso de “justiça imputada”. Ao nos convertermos, automaticamente temos cem por cento de justiça imputada na nossa “conta corrente celestial”. Exemplo: o ladrão na cruz.

Veja a citação abaixo:

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“Se está no coração obedecer a Deus, se são feitos esforços nesse sentido, Jesus aceita esta disposição e esforço como o melhor serviço do homem, e supre a deficiência, com Seu próprio mérito divino” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 382).

Tudo que você pratica foi comunicado por Deus a você; tudo que Deus o capacitou a praticar. Conforme veremos mais abaixo, tudo que praticamos como resultado da justiça comunicada por Cristo precisa ser purificado pelo sangue de Cristo, pois “a menos que sejam purificados por sangue, jamais podem ser de valor perante Deus”. Na realidade, Cristo tem que completar tudo, pois até o que praticamos está maculado devido à natureza humana pecaminosa (“canais corruptos da humanidade”). O que faltou para atingir a norma perfeita de Cristo, Jesus completa com Seus próprios méritos (justiça imputada).

A linha do crescimento cristão indica a perfeição relativa que podemos atingir pela justiça comunicada. O nível da norma perfeita é a perfeição absoluta que Cristo atingiu e que nós podemos atingir pela justiça imputada.

Alguns podem achar que o homem pode ser perfeito como Jesus, que também era humano como nós. Entramos nesse ponto no assunto da natureza humana de Cristo. A Igreja Adventista do Sétimo Dia crê que a natureza humana de Cristo era semelhante à nossa, porém com diferenças.

“Quando o homem transgrediu a lei divina, sua natureza se tornou má, e ele ficou em harmonia com Satanás, e não em desacordo com ele. Não existe, por natureza, nenhuma inimizade entre o homem pecador e o originador do pecado” (O Grande Conflito, p. 505).

Jesus não vivia em harmonia com Satanás. Mas a natureza do homem vive em harmonia com Satanás. Podemos ver a diferença entre as duas naturezas neste simples texto: “Era um poderoso solicitador, não possuindo as paixões de nossa natureza humana caída, mas rodeado das mesmas enfermidades, tentado em todos os pontos como nós o somos” (Testemunhos Para a Igreja, v. 2, p. 509).

Jesus não possuía as paixões da nossa natureza humana caída. Paixão não é pecado, mas uma tendência, uma propensão para pecar. Mesmo que alguns fiquem filosofando sobre o que vem a ser paixão, devemos concluir sem dificuldades que Jesus não as tinha. E isso torna a natureza humana de Cristo diferente da nossa. A nossa tem e a dEle não tinha).

“Os serviços religiosos, as orações, o louvor, a penitente confissão do pecado, sobem dos crentes fiéis, qual incenso ao santuário celestial, mas passando através dos corruptos canais da humanidade, ficam tão maculados que, a menos que sejam purificados por sangue, jamais podem ser de valor perante Deus. Não ascendem em imaculada pureza, e a menos que o Intercessor, que está à mão direita de Deus, apresente e purifique tudo por Sua justiça, não será aceitável a Deus. Todo o incenso dos tabernáculos terrestres tem de umedecer-se com as purificadoras gotas do sangue de Cristo. Ele segura perante o Pai o incensário de Seus próprios méritos, nos quais não há mancha de corrupção terrestre. Nesse incensário reúne Ele as orações, o louvor e as confissões de Seu povo, juntando-lhes Sua própria justiça imaculada. Então, perfumado com os méritos da propiciação de Cristo, o incenso ascende perante Deus completa e inteiramente aceitável. Voltam então graciosas respostas. Oxalá vissem todos que quanto a obediência, penitência, louvor e ações de graças, tudo tem que ser colocado sobre o ardente fogo da justiça de Cristo! A fragrância desta justiça ascende qual nuvem em torno do propiciatório” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 344).

Esse texto é carregado de informações fantásticas e esclarecedoras. A primeira parte diz claramente que tudo que podemos achar que seja nosso melhor (os serviços religiosos, as orações, o louvor, a penitente confissão do pecado) não pode ser aceito por Deus por ser originado nos “corruptos canais da humanidade”. Isso é tão abrangente que tornaria toda a perfeição de Cristo rejeitada por Deus, se Jesus também tivesse nossa mesma natureza humana: os corruptos canais da humanidade.

O texto ainda mostra que os méritos de Cristo não são manchados com a corrupção terrestre, assim como seriam os méritos da humanidade decaída. Se Jesus tivesse propensões para o pecado em Sua natureza humana, Ele próprio precisaria de um salvador para que Suas obras perfeitas pudessem ser aceitas por Deus como um sacrifício perfeito.

Os que entram numa linha de interpretação perfeccionista acabam por rejeitar textos muito simples e claros de Ellen White e se colocam num caminho de difícil retorno. Nas palavras da mensageira do Senhor: “Sentimo-nos tristes quando vemos professos cristãos desviarem-se pela falsa e fascinante teoria de que são perfeitos, porque é muito difícil desenganá-los e levá-los ao caminho reto. Eles procuram tornar lindo e aprazível o exterior, ao passo que o adorno interior – a mansidão e humildade de Cristo – lhes está faltando” (Santificação, p. 12).

O primeiro capítulo do livro Santificação compara a verdadeira e a falsa teorias de santificação. Ah, se houvesse humildade para se deixar guiar pelo Espírito Santo!

“Aqueles que estão realmente buscando o perfeito caráter cristão jamais condescenderão com o pensamento de que estão sem pecado. Sua vida pode ser irrepreensível; podem estar vivendo como representantes da verdade que aceitaram; porém, quanto mais consagram a mente para se demorar no caráter de cristo e mais se aproximam de Sua divina imagem, tanto mais claramente discernirão Sua imaculada perfeição e mais profundamente sentirão seus próprios defeitos” (Santificação, p. 7 e 8).

Várias verdades ficam claras nesse texto. Note duas das principais: (1) Quem busca a perfeição jamais ficará preocupado com a possibilidade de viver sem pecar. Essa preocupação não é dos que realmente buscam o caráter perfeito, mas dos perfeccionistas; (2) quem estiver mais próximo de Cristo descobrirá como tem defeitos e quão longe está da perfeição do Mestre.

“Mas aquele que está verdadeiramente procurando a santidade de coração e de vida, deleita-se na lei de Deus, e lamenta unicamente o fato de que fica muito aquém de satisfazer suas reivindicações” (Santificação, p. 81).

O que procura a santidade ama a lei de Deus, mas lamenta não satisfazer suas profundas reivindicações.

Os perfeccionistas, por outro lado, rejeitam a própria igreja como canal de luz. A igreja que surgiu para restaurar a verdade é vista por eles como ensinando heresias. Um posicionamento bastante problemático para eles próprios, à luz de Ellen White e da visão profética da missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

“Deus fez de Sua igreja na Terra um conduto de luz, e por intermédio dela comunica Seus desígnios e Sua vontade. Ele não dá a um de Seus servos uma experiência independente da experiência da própria igreja, ou a ela contrária. Nem dá a um homem um conhecimento de Sua vontade para toda a igreja, enquanto esta - corpo de Cristo - é deixada em trevas. Em Sua providência, Ele coloca Seus servos em íntima relação com a igreja, a fim de que tenham menos confiança em si mesmos, e mais em outros a quem Ele está guiando para levarem avante Sua obra” (Atos dos Apóstolos, p. 163).

“Deus está guiando um povo do mundo para a exaltada plataforma da verdade eterna - os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. Disciplinará e habilitará Seu povo. Eles não estarão em divergência, um crendo uma coisa e outro tendo fé e opiniões inteiramente opostas, e movendo-se cada qual independentemente do conjunto” (Testemunhos Para Ministros, p. 29).

Que Deus abençoe os sinceros e que eles sejam humildes para retornar, caso estejam em erro.

(Vanderlei Ricken, formado em Biblioteconomia pela UFSC, é bibliotecário do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul – IACS)


Escrito por Michelson Borges

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