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Janela-10-40

Revolução no mundo árabe pode


A chamada Janela 10/40 compreende um

favorecer o evangelho

terço da área habitada da Terra e dois terços da


população mundial (mais de 4 bilhões de pessoas).


A expressão foi criada pelo missionário americano


Luis Bush. Antes, ele se referia à “caixa 10/40” ou


ao “cinturão da resistência”, mas passou a falar de


“Janela da oportunidade” desde 1990.

Os 66 países dessa janela concentram os mais


elevados índices de pobreza e a maior resistência à


mensagem cristã. A região inclui países da África,


do Oriente Médio, a Índia e a China. Além do


ateísmo, predominam ali as religiões budista, hin-


duísta, islâmica, animista e judaica.


Por questões geográficas, a Janela 10/40 inclui na-


ções cristãs como Portugal e Filipinas, porém não


inclui Indonésia e Siri Lanka, povos bastante ca-


rentes do evangelho. Apenas 10% dos missionários


cristãos atuam nessa região. Menos de 2% da popu-


lação professa o cristianismo. A maior porcentagem


de evangélicos está na Etiópia, 10%; a China tem 3%


e a Líbia apenas 0,1% de evangélicos.



Mudança – No entanto, nos últimos três meses e

de forma repentina, países como Egito, Tunísia, Lí-


bia, Argélia e Marrocos, no meio da Janela 10/40,


têm sido sacudidos por uma onda de revoluções que


pretende pôr fim aos regimes ditatoriais e implantar


um governo democrático. A onda respingou tam-


bém na China, considerada o regime ditador mais

eficaz em reprimir a população, embora isso esteja


se tornando cada dia mais difícil.


No Egito, uma junta militar governa o país após


a renúncia do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro.




Após a reforma constitucional, em junho, um par-


lamento será eleito por voto direto; e em agosto, os


egípcios vão eleger seu presidente. Na Tunísia, Ar-


gélia e em Marrocos têm surgido uma reforma polí-


tica que caminha para uma democracia de maioria


islâmica. Os resultados das revoluções nesses paí-


ses encorajaram os povos da Líbia e do Iêmem, en-


tre outros, em busca dessa mesma liberdade.


Apesar do otimismo, as revoluções no mundo

árabe dificilmente podem ser vistas como


uma espécie de “perestroica” do islã. O co-


munismo, regime político da antiga União


Soviética, baseava-se numa ideologia huma-


nista e secular e tinha apenas 72 anos de vi-


gência, em 1989, quando caiu. Já o islamismo,


como uma religião com base no conceito de


autoridade e tradição – o que favorece os di-


tadores –, é uma cultura religiosa milenar.



No entanto, alguns sinais promissores

são vistos, os quais podem se tornar em elementos


de mudança não só política mas cultural.


Os jovens representaram a força das revoluções


árabes. Seduzidos pelo desejo de liberdade e au-


tonomia, eles estão saindo desse movimento com


a consciência de que podem ser superiores ao go-


verno e mesmo derrubá-lo, algo inédito em milênios


nesse lado do mundo. Essa é a grande distinção do


regime inaugurado pela Revolução Americana, em


1776, a primeira de todas as revoluções modernas,


cuja ideologia se espalhou pelo mundo.



O acesso à internet e às redes sociais, com a de-

corrente liberdade de expressão, tem permitido a


esses jovens se organizarem e desafiarem a repres-


são dos regimes ditadores. Entusiasmado, o especia-


lista em mundo árabe Yassin Musharbash diz que as


revoluções têm mostrado que os radicais islâmicos


não mais têm força no mundo árabe. Segundo ele,


nas revoluções, “não foi a Al Qaeda que assumiu a


vanguarda, mas a juventude secular, iniciada na in-

ternet”. Ele acredita que o discurso de um regime


teocrático ditador não mais atrai os jovens, que de-

sejam um Estado constitucional.




A cultura americana desenvolveu um


modo de vida em que o indivíduo está no


centro da sociedade e é autônomo em rela-

ção ao governo. Está apoiada na liberdade de mer-


cado e nos direitos humanos. O regime democrático


americano se desenvolveu tecnicamente criando


possibilidade de conforto e consumo para a popula-


ção. Esse modelo de vida “seduziu” o mundo e agora


chega à África, ao Oriente Médio e à Ásia através


dos meios de comunicação.


Essa mudança pode ser o início de um processo


de abertura para direitos humanos, tecnologia das


comunicações, democracia e, mais importante,


para a pregação do “evangelho do reino”, em cum-


primento de Mateus 24:14, a última condição para


a vinda de Cristo.




Revista Adventista. Abril 2011

VANDERLEI DORNELES é editor na Casa Publicadora Brasileira.

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