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8502rosa
Era um lindo sábado de setembro. Minha esposa e eu caminhávamos pelo Jardim Reynolda, “curtindo” a flora, que continha vários exemplares provenientes de diversos países do mundo. Os pomares foram originariamente cultivados por R. J. Reynolds, o magnata do tabaco, como parte de sua propriedade rural. Agora, fazem parte do campus da Universidade Wake Forest. Acabávamos de passar pelo jardim das rosas quando vimos Ann, uma senhora a quem eu começara a aconselhar duas semanas atrás, a qual caminhava em nossa direção. Ela olhava para baixo, para as pedras dispostas ao longo do chão, formando o corredor por onde andávamos. Parecia estar completamente distraída. Quando a cumprimentei, teve inicialmente um sobressalto, mas depois olhou para cima e sorriu. Apresentei-a Karolyn e trocamos alguns cumprimentos. De repente, ela de chofre fez uma das perguntas mais profundas que já me foram formuladas:

— Dr. Chapman, é possível amar alguém a quem odiamos? Eu sabia que aquela pergunta tinha brotado de uma profunda ferida e merecia uma resposta bem avaliada. Eu tinha horário marcado com ela para outra sessão de aconselhamento na semana seguinte. Então lhe disse: — Ann, essa é pergunta que precisa ser muito bem pensada antes de respondida. Que tal conversarmos sobre ela na semana que vem? Ela concordou e Karolyn e eu continuamos nosso passeio. A pergunta que ela fizera, porém, não nos abandonou. Mais tarde, enquanto dirigia para casa, Karolyn e eu falamos sobre aquela interrogação. Começamos a nos lembrar dos primeiros anos de nosso casamento e de como, por várias vezes, tivemos o sentimento de ódio. As palavras condenatórias que dirigíamos um ao outro estimularam a mágoa e, no calcanhar da mesma, a ira, que abrigada no interior transformou-se em ódio. O que foi diferente em nosso caso? Ambos fizemos a escolha de amar e percebemos que, se continuássemos aquele trajeto de cobranças e condenação, destruiríamos nosso casamento. Felizmente, após um período de um pouco mais de um ano, aprendemos como discutir nossas diferenças sem condenarmos um ao outro; a tomar decisões sem destruir nossa unidade; a dar sugestões construtivas ao invés de fazermos cobranças; e, eventualmente, a falarmos a primeira linguagem do amor um do outro. (Muitos desses itens foram descritos em um outro de nossos livros — Toward a Growing Marriage, Moody Press — “Em Busca de um Casamento Maduro”, publicado pela Editora Moody.) Nossa decisão de amar foi feita em meio a sentimentos negativos mútuos. Quando começamos a falar a primeira linguagem do amor um do outro, os sentimentos negativos provenien¬tes da mágoa e do ódio foram desfeitos. Nossa situação, no entanto, era diferente da que Ann enfrentava. Karolyn e eu estávamos abertos para aprender e crescer. O marido de Ann, porém, não concordava. Ela me dissera ainda na semana anterior, que implorara para ele fazer um aconselhamento, ler um livro ou ouvir alguma fita sobre casamento. No entanto, ele recusara todas estas alternativas. Segundo ela, a postura que ele assumira era: “Não tenho qualquer dificuldade. Você é quem possui os problemas aqui.” Na mente dele, ele estava certo e ela errada — e isto era simples. Os sentimentos de amor que ela nutria por ele foram mortos através dos anos de crítica e condenação cons¬tantes. Após dez anos de casamento, sua energia emocional esgotara-se e sua auto-estima praticamente se destruíra. Haveria esperança para o casamento de Ann? Ela conseguiria gostar de um marido indigno de ser amado? Será que, algum dia, ele corresponderia ao seu amor? Eu sabia que Ann era profundamente religiosa e freqüentava regularmente sua igreja. Deduzi, então, que a única esperança que ela possuía para seu casamento residia em sua fé. No dia seguinte, com meus pensamentos nela, comecei a ler a vida de Cristo no evangelho de Lucas. Sempre gostei da forma deste evangelista escrever sobre Jesus, pois, como médico, dava muita atenção a detalhes e ainda no primeiro século fez um relato cronológico dos ensinos e do estilo da vida do Filho de Deus. Naquele que muitos consideram o melhor sermão de Jesus, li as seguintes palavras, às quais chamo de grande desafio do amor: “Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: Amai os vos¬sos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam. Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles. Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam.”1 Pareceu-me que aquele profundo desafio escrito há quase dois mil anos era o caminho que Ann procurava. Mas... ela poderia “dar conta daquele recado”? Será que alguém conseguiria? Seria possível amar um cônjuge que se tornou um inimigo? Seria possível amar alguém que pragueja contra você, maltrata-o (a), e dedica-lhe desprezo e ódio? E, se na melhor das hipóteses, ela conseguir, será que ele de alguma forma lhe retribuiria? Seria possível que aquele marido mudasse e começasse a expressar amor e cuidado por ela? Fiquei espantado com as próximas palavras de Jesus ditas naquele antigo sermão: “Dai e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante generosamente vos darão: porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.” Será que aquele princípio de amar a quem não merece nosso amor funcionaria em um casamento no ponto em que estava o de Ann? Decidi fazer uma experiência. Tomei como hipótese o fato de que se ela aprendesse a primeira lingua¬gem do amor de seu marido e utilizasse-a por um período de tempo de forma que as necessidades emocionais dele fos¬sem atendidas, eventualmente, ele se tornaria recíproco e começaria a demonstrar amor por Ann. Imaginei... Será que vai funcionar? Encontrei-me com ela na semana seguinte e ouvi-a novamente enquanto falava sobre os horrores de seu casamento. Ao final de seu resumo, repetiu o que dissera no Reynolda Gardens. Dessa vez, porém, ela colocou em forma de afirmação. — Dr. Chapman, simplesmente não sei se voltarei a amá-lo depois do que ele fez comigo. — Você já conversou sobre sua situação com alguns de seus amigos? — perguntei. Ela respondeu: — Com umas duas amigas mais chegadas e, por cima, com outras pessoas. — E o que elas lhe disseram? Todos são unânimes em dizer que devo me separar dele, porque ele nunca vai mudar, e esta demora só prolonga a agonia. Dr. Chapman, ocorre que eu não consigo fazer isso! Talvez eu devesse, mas não quero acreditar que esta é a coisa mais certa a se fazer. Eu então lhe disse: — Parece-me que você está em um dilema. Por um lado sua crença religiosa e a moral, lhe dizem ser errado desmanchar um casamento; e por sua dor emocional lhe afirma ser o rompimento a sua única forma de sobreviver. — É exatamente isso, Dr. Chapman. É desta maneira que me sinto. Não sei o que fazer! Quando o tanque (emocional) está baixo... não temos sentimentos de amor por nosso cônjuge e, simplesmente, experimentamos dor e vazio. — Estou realmente solidário com sua dor. Sei que você enfrenta uma situação verdadeiramente difícil. Gostaria de poder oferecer-lhe uma resposta fácil mas, infelizmente, não a possuo. Qualquer uma das alternativas que você mesma mencionou — continuar ou desistir de seu casamento — certamente lhe acarretará muita dor. Antes que tome uma decisão, gostaria de conceder-lhe uma idéia. Não posso garantir que funcionará, mas desejaria que, pelo menos, fizesse uma tentativa. Pelo que me disse, percebo que sua fé é muito im¬portante para você e também respeita muito os ensinos de Jesus. Ela balançou a cabeça afirmativamente e eu continuei: — Gostaria de ler para você algumas coisas ditas: pelo próprio Jesus, que acredito tenham a ver com seu casamento. Li, então, devagar e pausadamente. “Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam. Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles. Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam.”1 — Estas palavras lembram seu marido? Ele a tem tra¬tado mais como inimiga do que como amiga? — perguntei. Ela balançou sua cabeça afirmativamente. Ele já praguejou contra você? Muitas vezes. Ele já a maltratou? Sempre o faz. Ele já expressou que a odeia? Sim. Ann, se você concordar, gostaria de tentar uma coisa. Desejaria ver o que aconteceria se aplicássemos este princípio em seu casamento. Deixe-me explicar melhor. Comecei a explicar a Ann o conceito do tanque emocional e o fato de que, quando ele está baixo como o dela se encontrava, não temos sentimentos de amor por nosso côn¬juge e, simplesmente, experimentamos dor e vazio. Desde que o amor é uma profunda necessidade emocional, a falta dele possivelmente também é a nossa mais profunda dor emocional. Disse-lhe, então, que se pudéssemos aprender a falar a primeira linguagem do amor um ao outro, a necessi¬dade emocional estaria suprida e sentimentos positivos seri¬am novamente gerados. — Isso faz sentido para você? — perguntei-lhe. Dr. Chapman, o senhor acabou de descrever a mi¬nha vida. Nunca, antes, enxerguei de forma tão clara. Apaixonamo-nos antes de nos casarmos. Não muito tempo depois de nosso casamento, caímos das nuvens e nunca aprendemos a falar a linguagem do amor um ao outro. Meu tanque está vazio há anos, e estou certa que o dele também. Dr. Chapman, se eu compreendesse antes este conceito, talvez nada disso nos teria acontecido. Não podemos voltar no tempo, Ann. Tudo o que podemos tentar é fazer o futuro diferente. Gostaria de propor-lhe uma experiência de seis meses. Estou disposta a tentar qualquer coisa — disse Ann. Apreciei seu espírito positivo, mas eu não estava mui¬to certo de que ela entendera o alto grau de dificuldade daquela experiência. Então sugeri: — Estabeleçamos então nossos objetivos. Se em seis meses você pudesse ter seu desejo romântico realizado, qual seria? Ann ficou um tempo sentada em silêncio. Depois, ainda pensativa, ela disse: — Gostaria de ver Glenn amar-me novamente e demonstrar isso através de algum momento gasto comigo; desejaria realizar diversas atividades juntos; queria sair, eu e ele sozi¬nhos, para passear; gostaria muito que houvesse interesse da parte dele pelo meu mundo; apreciaria demais que conversássemos um com o outro quando saíssemos para jantar fora; desejaria que ele me ouvisse; gostaria de sentir que ele valoriza minhas idéias. Seria tão bom se pudéssemos novamente viajar e nos divertir juntos. E, mais do que qualquer outra coisa, desejaria saber que ele valoriza nosso casamento. Ann fez uma pausa e depois continuou: — De minha parte, gostaria muito de voltar a ter sentimentos calorosos e positivos por ele. Desejaria sentir orgulho dele. No momento, não nutro estes desejos. Eu escrevia enquanto Ann falava. Quando ela terminou, li alto o que ela me dissera e comentei: Estes objetivos parecem-me difíceis de ser alcança dos. É isso mesmo o que você deseja, Ann? Concordo que, para o momento, eles pareçam praticamente impossíveis. Mas é o que desejo acima de tudo. Então estabeleçamos que estes serão nossos objetivos. Em seis meses, queremos ver você e Glenn possuir esse tipo de amor em seu relacionamento. Gostaria de levantar uma hipótese. O objetivo de nossa experiência será provar se ela é ou não verdadeira. Suponhamos que você consiga falar a primeira linguagem do amor de Glenn, de forma con¬sistente durante seis meses. Digamos também que em algum ponto desse período sua necessidade emocional de amor comece a ser suprida, o tanque do amor encha-se e ele comece a corresponder seu amor. Esta hipótese baseia-se na idéia de que nossa necessidade de amor emocional é a carência mais profunda que possuímos, e quando essa necessidade é su¬prida, a tendência natural é respondermos positivamente à pessoa que nos supriu. E eu continuei. — Você compreendeu que esta proposta coloca toda iniciativa em suas mãos? Glenn não faz questão de trabalhar para salvar este casamento, mas você sim. Esta hipótese implica em que, se conseguir canalizar suas energias para a direção certa, haverá grandes possibilidades de que seu esposo venha a lhe corresponder. Li a outra parte do sermão de Jesus conforme registra¬do em Lucas, o médico. “Dai e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante generosamente vos darão: porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também”.2 Se entendi bem, Jesus estabelece aqui um princípio, e não uma forma de manipular pessoas. De modo geral, se formos bondosos e amorosos, todos também terão a tendência de sê-lo conosco. Isto não significa que sejamos pessoas boas e que todos necessitam ser bons para conosco. Somos agentes independentes. Portanto, não há garantias de que Glenn venha a ser recíproco a suas manifestações de amor. Só podemos dizer que existe uma boa possibilidade disso vir a acontecer. (Um conselheiro nunca pode predizer com absoluta certeza o comportamento humano individual. Com base em pesquisas e em estudos dos tipos de personalidade, ele pode deduzir uma reação em determinada situação.) Após ela concordar com a hipótese, eu disse a Ann: Conversemos agora sobre a primeira linguagem do amor, tanto a sua como a dele. Declaro, pelo que você me contou, que “Qualidade de Tempo” seja sua primeira linguagem do amor. O que você acha? Eu concordo com o senhor, Dr. Chapman. Logo no início, quando gastávamos algum tempo juntos e Glenn ouvia-me, conversávamos por horas a fio e fazíamos muitas coisas em companhia um do outro, eu me sentia amada. Aci¬ma de qualquer outra coisa, esta é a parte de nosso casamento a qual gostaria que voltasse. Quando ficamos algum mo¬mento juntos, sinto-me como se ele realmente se importasse comigo; porém, quando se dedica somente a outras coisas, e nunca tem tempo para conversarmos nem para realizarmos algumas atividades juntos, sinto como se os negócios e ou¬tros assuntos fossem muito mais importantes do que eu. Nesse momento, perguntei: — E qual você acha que é a primeira linguagem do amor de Glenn? — Acho que é o “Toque Físico”, especialmente a parte íntima do casamento. Noto que, quando nossas relações sexuais ficam mais ativas, ele assume uma atitude mais positiva e eu chego a sentir-me mais amada. É, acho que o “Toque Físico” é a primeira linguagem do amor dele, Dr. Chapman. — Ele reclama da forma como você fala com ele? — Bem, ele diz que eu o critico o tempo todo. Também afirma que eu não o apoio e sou sempre contra suas idéias. — Creio, então, que podemos dizer que o “Toque Físico” seja sua primeira linguagem do amor e que “Palavras de Afirmação”, a segunda. Se ele reclama das palavras negativas que lhe são ditas então, pelo que tudo indica, as positivas devem ser importantes para ele. Fiz uma pequena pausa e escrevi as seguintes sugestões: — Deixe-me sugerir um plano para testar nossa hipótese. Que tal você chegar em casa e dizer a Glenn: “Tenho pensado muito sobre nós e quero que você saiba que eu gostaria de ser a melhor esposa do mundo. Então, se tiver alguma sugestão de como eu posso melhorar como companheira, gostaria de saber isso agora e quero dizer-lhe que estou aberta para isso. Você pode me declarar agora, ou então pensar um pouco e dar-me sua opinião depois. Gostaria, porém, que soubesse desta minha decisão de ser a melhor esposa do mundo”. Seja qual for a resposta dada, negativa ou positiva, aceite simplesmente como uma informação. Esta colocação mostrará a ele que algo diferente está para acontecer no relacionamento entre vocês dois. — Em seguida — continuei —, com base em sua opinião de que a primeira linguagem do amor de Glenn é “Toque Físico”, e em minha suposição de que a segunda seja “Palavras de Afirmação”, focalize sua atenção nestas duas áreas por um mês. Se Glenn conceder-lhe uma sugestão do que você deve fazer para ser uma melhor esposa, aceite essa informação e insira-a em seu plano. Procure traços positivos nele e manifeste apreciação por eles. Neste meio tempo, pare com as críticas. Se neste mês você tiver motivos para reclamar, escreva-os em sua caderneta de anotações, ao invés de dizer qualquer coisa a Glenn. — E finalmente — concluí —, tome mais iniciativa em tocá-lo fisicamente e também no envolvimento sexual. Surpreenda-o e seja mais agressiva, não simplesmente para corresponder às investidas dele. Coloque um alvo de, nas primeiras duas semanas, ter relações sexuais pelo menos uma vez a cada sete dias e nas duas seguintes, duas vezes em cada semana. Ann me contara que, durante os últimos seis meses, ela e Glenn tiveram somente uma ou duas relações sexuais. Imaginei que este plano tiraria as coisas do marasmo em que se encontravam em menos tempo. Se você afirmar ter sentimentos que não nutre, isso ê hipocrisia. Porém, expressar um ato de amor em benefício, ou para o prazer de outra pessoa, é um ato de escolha. Ann então disse: — Dr. Chapman, isso será realmente difícil! É quase impossível corresponder-me sexualmente com ele, pois ignora-me o tempo todo. Sinto-me usada e não amada em nos¬sas relações sexuais. Ele me trata como se eu fosse totalmente insignificante em outras áreas e, de repente, quer ir para a cama e usar meu corpo. Magôo-me muito com isso e esta deve ser a razão de termos tão pouco envolvimento sexual nos últimos anos. Respondi então a Ann, com real compreensão pelo que ela passava: — Sua reação é absolutamente natural e normal. Para a maioria das esposas, o desejo de ter relações sexuais com os maridos é decorrente do fato de serem amadas por eles. Se elas se sentem prestigiadas, então querem ter relações sexu¬ais. Se não, sentem-se usadas no contexto sexual. É por este motivo que amar a quem não nos ama é extremamente difícil. É algo que vai além de nossas tendências normais. É preciso confiar profundamente em Deus para poder fazer isso. Creio que Ele a ajudará, se você ler novamente o sermão de Jesus sobre o amar os inimigos, ou seja, a quem nos odeia e nos usa. Depois, peça a Deus ajuda para colocar em prática os ensinos de Cristo. Dava para perceber que Ann concordava com o que eu lhe dizia. De vez em quando ela balançava a cabeça afirmativamente, mas seus olhos afirmavam que ela estava com muitas dúvidas: — Mas Dr. Chapman, não é uma hipocrisia demonstrar amor sexual quando se tem tantos sentimentos negativos por uma pessoa? Minha resposta foi: — Acho que seria bom conversarmos um pouco sobre a diferença entre amor como sentimento e amor como ação. Se você afirmar ter sentimentos que não nutre, isso é hipo¬crisia e esta comunicação falsa não é uma boa forma para se construir um relacionamento íntimo. Porém, se você expressar um ato de amor em benefício ou para o prazer de outra pessoa, é um ato de escolha. Você não atribuirá àquele ato um profundo envolvimento emocional. Creio que foi exata mente isto que Jesus quis dizer. Fiz uma pequena pausa e prossegui: — Certamente não dá para termos sentimentos calorosos por quem nos odeia. Isso não seria normal, mas, por outro lado, podemos realizar atos de amor por eles. E isso é uma decisão nossa. Esperamos que tais atos de amor produzam efeitos positivos em suas atitudes, seu comportamento e tratamento. Pelo menos, escolhemos fazer algo positivo por eles. Minha resposta, aparentemente, satisfez a Ann, pelo menos naquele momento. Fiquei com a sensação de que precisaríamos conversar sobre isso novamente. Eu também sentia que, se aqueles planos fossem postos em prática, seriam devido à profunda fé que ela nutria em Deus. Tornei a dizer-lhe: — Eu gostaria que, depois de um mês, perguntasse a Glenn se você melhorou ou não. Coloque em suas próprias palavras, mas pergunte a ele algo como: “Glenn, lembra-se quando umas semanas atrás eu lhe disse que gostaria de ser a melhor esposa do mundo? Seria possível você me dizer o que tem achado?” Prossegui com outras propostas: — Seja qual for a resposta de Glenn, aceite-a como uma informação. Ele pode ser sarcástico, frívolo, hostil ou positivo. Seja qual for a resposta que ele lhe der, não argumente, aceite-a e assegure-lhe que você fala sério e realmente quer ser a melhor esposa do mundo, e se ele tiver sugestões, você está aberta para elas. Além do mais — prossegui —, mantenha o hábito de interrogá-lo nesse sentido uma vez por mês, durante os seis primeiros meses. Quando Glenn lhe der o primeiro retorno positivo, e disser algo como: “É... tenho de admitir que quando você me falou que gostaria de tentar ser a melhor esposa do mundo, eu quase morri de rir; no entanto, tenho de aceitar que as coisas têm andado diferentes por aqui!”; você saberá que seus esforços começam a modificá-lo emocionalmente. Ele talvez lhe conceda um retorno positivo de¬ pois do primeiro mês, do segundo ou mesmo do terceiro. Uma semana depois de você receber o primeiro retorno positivo, quero que faça um pedido a Glenn — algo que gostaria que ele fizesse, e esteja relacionado com sua primeira lin¬guagem do amor. Por exemplo, numa bela noite você poderia virar-se para ele e dizer algo parecido com: “Glenn, sabe o que eu estou com vontade de fazer? Você se lembra de como nós costumávamos jogar “Scrabble” juntos? (N.T.: Jogo de formar palavras em um tabuleiro e somar pontos.) Eu gosta¬ria tanto que jogássemos juntos, só nós dois, na quinta-feira à noite! As crianças vão ficar na casa da Mary. Você acha que seria possível?” — Ann — prossegui —, coloque esse pedido de forma específica, não geral. Não diga algo como: “Sabe, gostaria muito que a gente pudesse gastar mais tempo juntos”. Isso é muito vago. Como é que você saberá se ele fará ou não o que pediu? Mas... se fizer um pedido específico, ele saberá exatamente o que você quer e com certeza reagirá. Quando ele o fizer, será pela escolha de realizar algo que a agrade. — E finalmente, faça, a cada mês, um pedido específico. Se ele a atender, ótimo; se não concordar, não se importe. Uma coisa é certa: quando atender seu pedido, você saberá que ele procura satisfazer a sua necessidade. Nesse processo, você o ensinará a falar sua primeira linguagem do amor, porque os pedidos que fará com certeza são parte dela. Se ele decidir amá-la através de sua primeira linguagem do amor, suas emoções positivas relativas a ele despontarão na superfície. Seu “tanque” emocional começará a encher e, a seu tempo, o casamento renascerá. Ann então disse: — Dr. Chapman, eu faria qualquer coisa se isso fosse possível. Talvez você precise de um milagre em seu casamento. Por que não tenta colocar em prática a experiência de Ann ? — Bem. Dará um bocado de trabalho, mas acredito que compensa uma tentativa. Eu, pessoalmente, estou muito interessado em ver se esta experiência dará certo e se esta hipótese comprovar-se-á. Gostaria que nos encontrássemos sistematicamente durante este processo; talvez a cada dois meses, e você fizesse anotações das palavras de afirmação que disser a Glenn a cada semana. Gostaria, também, que me trouxesse a lista das reclamações anotadas em sua cader¬neta; aquelas que você não vai revelar para Glenn. Pode ser que, através destas reclamações, eu consiga ajudá-la a for¬mular pedidos que possam ir ao encontro do suprimento destas frustrações. Finalmente, gostaria que você aprendesse como compartilhar suas frustrações e irritações de forma construtiva e os dois conseguissem lidar com isso. Mas, durante estes seis meses de experiência, quero que você as anote sem nada dizer a Glenn. Ann levantou-se e acredito que já com a resposta à fa¬mosa pergunta que me fizera: “E possível amar alguém a quem se odeia?” Nos seis meses que se seguiram, Ann viu uma tremenda mudança na atitude e no tratamento de Glenn para com ela. Nos primeiros 30 dias ele estava frívolo e lidou com a situação de forma superficial. Porém, após o segundo mês, ela já recebeu dele o retorno positivo de seus esforços. Nos últimos quatro meses, ele respondeu positivamente a quase todos os seus pedidos, e seus sentimentos para com ela co¬meçaram a sofrer uma drástica mudança. Glenn nunca apareceu para o aconselhamento, mas ouviu algumas de minhas fitas e discutiu-as com Ann. Chegou mesmo a encorajá-la a continuar suas sessões de aconselhamento, o que durou por mais três meses após o final da experiência. Atualmente, Glenn segreda a seus amigos que eu sou um “milagreiro”. Sei, no entanto, que o amor é que faz milagres. Talvez você precise de um milagre em seu casamento. Por que não tenta colocar em prática a experiência de Ann? Diga a seu cônjuge o que tem pensado sobre o casamento dos dois, e que gostaria de fazer o possível para suprir de forma melhor suas necessidades. Peça sugestões de como melhorar. As propostas que forem dadas servirão de dicas para que se descubra sua primeira linguagem do amor. Se ele (ela) não fizer alguma sugestão, tente descobrir sua primeira linguagem do amor através das reclamações feitas ao longo dos anos. Então, durante seis meses, focalize sua atenção naquela linguagem. Ao final de cada mês, solicite um retorno de como você evolui por intermédio de outras sugestões. Quando seu cônjuge demonstrar melhoras, espere uma semana e então faça um pedido específico. A solicitação deverá ser de algo que realmente apreciaria que ele (ela) fizes¬se por você. Se ele (ela) decidir atendê-la (o), saberá que ele (ela) tomará aquela atitude com o objetivo de suprir suas necessidades. Se ele não atender seu pedido, continue a amá-lo. Talvez no próximo mês você receba uma resposta positiva. Se seu cônjuge começar a falar sua linguagem do amor através do atendimento a seus pedidos, as emoções positivas sobre ele (ela) voltarão e, a seu tempo, seu casamento renascerá. Não posso garantir os resultados, mas são muitas as pessoas a quem aconselhei que experimentaram os milagres do amor. Notas 1.Lucas 6:27, 31-32. 2. Lucas 6:38. As Cinco Linguagens do Amor Gary Chapman[[Categoria:O CASAMENTO QUANDO É FEITO COM AMOR TEMOS OS NOSSOS RUMORES, MAS PARA QUE VIVAMOS BEM É SÓ BUSCAR A DEUS, POIS ELE É O ' "DEUS DO IMPOSSÌVEL" ELE QUER QUE VIVAMOS EM PAZ E NÓS NOS ESQUECEMO QUE O CASAMENTO FOI FEITO NUMA IGRAJA POR UM PASTOR QUE PEDIU A BENÇÃO PARA NÓS. E QUEM TEM O CASAMENTO ACABADO ORE E PEÇA A DEUS QUE ELE O CAINHO QUE VOCE ESTÁ PRECISANDO DE AMOR, E COM FÉ QUE TEMOS A ELE ELE CONSIDERARÁ.]]

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