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A GOIABEIRA E O MAMOEIRO.


Outro dia, numa desses finais de tardes de verão, o tempo se fechou, tudo se escureceu e o vento inundou o quintal, bem como o quarto, onde eu deitado, apreciava aquela cena pela janela.

No quintal havia duas árvores: um mamoeiro e uma goiabeira. Eu observava com atenção o quanto o vento balançava de forma diferente estas árvores, especialmente porque numa das pontas dos galhos da goiabeira, uma rolinha tinha feito o seu ninho, e agora estava ela ali, apesar de toda aquela ventania, onde os galhos se dobravam em todas as direções com incrível força, ela "descansava", firme naquilo que havia construído.

No mamoeiro, apenas as suas folhas, balançavam, pois o seu caule grosso, permanecia ereto, rijo, talvez orgulhoso por não se dobrar diante da força do vento.

Quando acordei no dia seguinte, manhã de sol bonita que Deus havia me dado, o mamoeiro estava no chão, o seu caule apesar de grosso, se rompeu e quebrou-se. A goiabeira estava lá, intacta, abrigando a rolinha que sabiamente havia construído o seu ninho em sua ramagem. Irmãos ... pude tirar algumas lições deste quadro, que com certeza, são as maravilhas da natureza, mostrando a glória, a sabedoria e a vontade de Deus em nossas vidas. (Sl 19- 2 a 4 ).

Nunca vi quaisquer aves fazer ninho em pé de mamão... (Lucas 7-25) . Deus fez as aves, que sem entendimento, edificam sempre em lugares seguros. Onde está sendo construída a sua casa? Na Rocha ou na Areia?

Davi, no Salmo 138 declara que " Deus atenta para o humilde, mas o soberbo Ele o conhece de longe". Quantas vezes temos sido mamoeiros ... como???

  • Irredutíveis em nossas posições.
  • Não reconhecendo os nossos erros.
  • Não sabendo pedir desculpas e perdão.
  • Permanecendo no pecado que nos agrada, mesmo tendo

convicção dele.

Em outras palavras ... não temos nos dobrado quando não reconhecemos nossos erros para com o próximo, sendo então altivos e orgulhosos, ou mesmo estando certos, não procuramos o nosso próximo para pedir perdão e reconciliarmos. Fil 2-3.

Não temos nos dobrado, quando não reconhecemos, quando não aceitamos e quando não buscamos a soberana e perfeita vontade de Deus, como princípio básico para o nosso viver ... Deleito-me em fazer a tua vontade - Salmo 40-8.

Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor ... para que experimentemos qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus ... Os 6-3, Rm 12- 2.

JOEL GONÇALVES DE SOUZA Jogons@bol.com.br


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A HISTÓRIA DE ABRAHAM LINCOLN


Quando Abraham Lincoln foi eleito presidente dos Estados Unidos, houve um forte constrangimento entre as classes dominantes. Afinal, ele era filho de sapateiro e iria dirigir pessoas de famílias tradicionais. Ao fazer seu primeiro discurso no senado, um político muito arrogante aproximou-se e disse: "Antes do Senhor começar, eu gostaria de lembra-lo que o Senhor é filho de sapateiro". E todos riram imediatamente. No fundo, todos queriam humilha-lo, já que derrota-lo não havia sido possível. Mas um homem como Lincoln é difícil de ser derrubado. Ele, então, respondeu: "Obrigado por lembrar-me do meu pai neste momento. Eu procurarei ser um bom presidente tão bom quanto o sapateiro que ele foi. Eu me lembro que meu pai sempre fez os sapatos de sua família, se os seus sapatos apresentarem algum problema, você pode traze-los e eu os consertarei. Desde cedo aprendi a consertar sapatos e agora que meu pai é morto posso cuidar dos seus. Aliás, se algum de vocês, tiver um sapato feito pelo meu pai que esteja precisando de conserto pode trazer para mim. Mas de uma coisa estejam certos: eu não sou tão bom quanto ele", e seus olhos se encheram de lágrimas ao lembrar-se do pai.

Seja qual for a circunstância, o campeão sempre mantém o orgulho de si mesmo, de sua família e de seu trabalho. Ele sabe que as árvores Mais altas têm as raízes mais profundas, que as dificuldades moldam os campeões; por isso, não somente aos obstáculos, mas a todos que pavimentaram o seu caminho... Seja sempre você, aprenda com os outros tudo que puder, mas nunca abandone a sua essência. É ela que vai criar a sua marca registrada...

cesardeaguiar@bol.com.br



A ingenuidade da astúcia de OLAVO DE CARVALHO



Oséculo XX julgou-se muito astuto porque descobriu, com Marx, Freud e Nietzsche, que as mais altas qualidades humanas podiam encobrir preconceitos de classe, desejos recalcados e a busca de compensações para o ressentimento. À luz dessas revelações, a imagem dos grandes homens que os séculos anteriores haviam exaltado fragmentou-se numa poeira de pequenas misérias, a tal ponto que se tornou necessário explicar seus feitos e obras notáveis como projeções imaginárias do meio cultural. Pelo fim do século, virou moda nos círculos universitários a produção de biografias pejorativas, empenhadas em ressaltar pecados, defeitos e pontos cegos nas almas dos indivíduos melhores, de modo a sugerir à multidão de leitores que nesses personagens nada havia de especial que não tivesse sido depositado lá pelos acasos da fama, por uma bem orquestrada campanha de publicidade ou por um concurso de arranjos convenientes aos interesses da classe dominante. Tendo assim levado a conseqüências extremas a propensão moderna de deleitar-se na autocorrosão masoquista, o século XX parecia não ter maior motivo de orgulho do que a inflexível suspicácia que fizera dele, depois de tantos séculos de sonhos e desvarios, o primeiro a não se deixar enganar. Essa estranha soberba de olhar frio, que se compraz na visão da própria miséria porque ela investe seu portador do poder soberano de desfazer com uma frase lacônica os mais altos valores e esperanças, é a perfeita inversão da humildade cristã, que só vasculha com idêntico rigor os próprios pecados para enaltecer através deles a glória da cura divina. Enquanto o cristão se humilha para que Deus o exalte, o homem moderno se humilha para humilhar os outros. Deus nos amedronta porque conserva em Suas mãos, em vez das nossas, o segredo da salvação; o discurso da modernidade nos amedronta porque nos persuade de que possui o segredo último de que não há salvação. O modelo supremo de sabedoria a que aspira a inteligência moderna é, indiscutivelmente, o demônio. Ele não pode nos salvar; mas pode justificar de maneira cada vez mais científica a nossa danação. Essa ascese demoníaca tornou-se tão disseminada e obrigatória nos meios acadêmicos, que praticamente chegou a se identificar com a imagem do saber científico em geral, ao ponto de, quando se fala em fé e caridade hoje em dia, ser quase sempre no tom de uma concessão paternal que o rigor intelectual faz às necessidades pueris de consolo e de ilusão, incontornáveis naquela parcela majoritária da espécie humana que ainda não alcançou os patamares mais altos de consciência reservados aos acadêmicos de olhar frio e sorriso desdenhoso. Foi numa avançada etapa desse desenvolvimento que surgiu a idéia de esfarelar, depois das imagens divinas, as próprias qualidades humanas que as manifestavam. A atração que as biografias pejorativas e os diagnósticos insultuosos da psique dos grandes homens exercem sobre a massa dos leitores "médios" explica-se facilmente pelo mecanismo de sedução. "Sedução" vem de "sub ducere", conduzir ou atrair por baixo: dominar a mente de um sujeito apelando às suas piores qualidades, às suas fraquezas, aos seus temores. Sobretudo à sua inveja. Inveja é um sentimento de inferioridade que encontra alívio na contemplação das inferioridades reais ou imaginárias dos outros. Incapaz de superar suas fraquezas, o invejoso consola-se com o pensamento de que todos as têm em dose igual. É a democracia dos complexos. Esse tipo de literatura acadêmica visa a despertar no leitor aquilo que John Le Carré chamou "a típica percepção corrosiva dos fracos". Tê-la disseminado entre as classes letradas fez o século XX sentir-se especialmente astuto. Mas o que parecerá supremamente ingênuo aos futuros historiadores é que tão vastas porções das classes letradas de uma época acreditassem na possibilidade de apreender a personalidade e o gênio de um Goethe, de um Shakespeare -- isto para não mencionar os santos e os profetas --a partir do exame das deficiências e pecados que eles tinham em comum com o restante da humanidade, sem ter em conta o que tinham de diferente. Porque, justamente, se suas fraquezas são iguais às de todo mundo, resta explicar por que nem todo mundo consegue escrever o "Fausto" ou o "Hamlet" - e muito menos operar curas milagrosas ou fazer profecias confirmadas pelo tempo. Para aliviar a incomodidade dessa questão, a engenharia acadêmica concebeu teorias como o desconstrucionismo e a estética da recepção, que, desviando a atenção dos leitores da unidade estrutural na qual se apreende o sentido superior das grandes obras, dispersam sua inteligência na contemplação da infinidade de elementos soltos que as compõem ou da variedade inesgotável de reações que os públicos de várias épocas e lugares tiveram ante essas obras. Invariavelmente, da dispersão da inteligência segue-se o esfarelamento do seu objeto: no fim o que é negado é a própria integridade das obras, o que é o mesmo que dizer: sua existência. Com isto fica definitivamente sanada a incomodidade acima referida, pois ninguém se sente inferiorizado diante do que não existe. Que milhares de invejosos em todo o mundo cedessem tão facilmente à tentação desse alívio barato e chegassem a acreditar piamente nos truques intelectuais pueris concebidos para obtê-lo, eis o que fará do século XX, na visão dos tempos vindouros, o mais ingênuo século da História.


OLAVO DE CARVALHO é filósofo. Extraído do Jornal o Globo

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