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Fazia tempo que eu não lia nada sobre virgindade. E soa mesmo antiquado falar do assunto numa época em que adolescentes se despem ao vivo para uma plateia virtual. Mas, por isso mesmo, me chamou a atenção o relato da britânica Sophie Atherton publicado pelo jornal The Guardian. Ela conta que se manteve virgem até os 32 anos – em parte por conta de uma doença grave no início da vida adulta, em parte por escolha, por ter outras prioridades. Mais interessante do que isso, Sophie classifica a sua decisão como uma rebeldia e defende as vantagens por esperar mais. Minha primeira reação foi me perguntar: o que há de errado com essa mulher? Continuo achando que não há necessidade nenhuma de esperar tanto assim – ela até reconhece que, aos 32 anos, estava mais do que pronta –, mas Sophie tem um ponto. Ao passar o início da vida adulta longe de um relacionamento, ela diz que aprendeu a ser mais independente e a esperar (e como ela aprendeu a esperar!).

[Leia aqui alguns trechos do depoimento de Sophie e note como ela menciona razões que dão sentido ao conselho bíblico de esperar pelo casamento para se ter vida sexual ativa. - MB]

"Antes de atingir a idade do juízo, eu estava desesperada para perder minha virgindade enquanto ainda fosse ilegal. Achei que fosse desafiar a autoridade. Quem são eles para me dizer quando eu estava pronta para transar? Mas não aconteceu, embora meu primeiro beijo, aos 15 anos, tenha quase ido longe demais. Ao contrário, acabei fazendo algo muito mais rebelde e incomum: eu me mantive virgem até os 32 anos. [...]

"Como minha virgindade persistia, eu tive a experiência incomum de me desenvolver e crescer sem a influência de um parceiro. Eu não odeio homens – muito pelo contrário; por ter passado tanto tempo sem um homem no meu pé pude apreciar até melhor a companhia deles. Depois de viver com um homem por quase dois anos (eu quero deixar claro que isso não é uma reclamação contra eles!), eu me pergunto que tipo de mulher eu teria sido se tivesse passado as últimas duas décadas de minha vida adulta lidando com todas as situações criadas pelas diferenças entre os sexos. [...] Enquanto minhas amigas lidavam com esse tipo de distração gastei 20 anos fazendo o que queria, vivendo em várias cidades, mudando por causa do trabalho, sem considerar outra pessoa que não eu mesma. Alguns amigos me cumprimentavam por minha independência, o que eu achava desconcertante, mas agora entendo o que eles queriam dizer. Não que eu não ficasse ansiosa nem tivesse dúvidas ao fazer tudo sozinha, decidir sobre todas as oportunidades. Foi o que eu fiz, de todo modo. [...]

"Algumas pessoas pensam que esperar tanto assim significa que havia algo errado comigo. Mas eu ganhei muito ao adiar o início da minha vida sexual. Tenho certeza de que isso foi, em parte, responsável pela minha força de caráter e minha natureza decidida. Tenho que dar crédito aos meus pais por me darem as fundações de uma quase inabalável autoconfiança, mas acho que tudo que construí veio, em grande parte, por eu não estar em uma relação com um homem até que eu completasse 30 anos.

"Para uma mulher, falar ‘não’, e fazer sexo apenas quando ela realmente quer, é um ato básico, mas muito poderoso. Demonstra que ela é independente e livre, e, talvez, quanto mais tempo uma mulher se mantém virgem, mais ela tem respeito por si própria e controle sobre seu próprio corpo.

"O legado de minha longeva virgindade vai além da independência – acho que ela me deu uma resistência extra para lidar com as dificuldades da vida e me ensinou a ter paciência. Nossa cultura pode ser a de ‘tudo agora’, mas eu aprendi a esperar. E uma das melhores coisas foi em relação ao sexo em si. Enquanto algumas mulheres da minha idade perderam seu interesse, eu ainda acho tudo tão excitante quanto a primeira vez."

(Mulher 7x7)

Nota: Percebeu as vantagens? (1) Com a maturidade, a pessoa tem melhores condições de fazer escolhas sem ser movida pelos apelos da mídia e pela pressão do grupo; (2) a rebeldia natural da adolescência pode levar a escolhas infelizes; (3) antes de iniciar um relacionamento amoroso mais sério, a pessoa pode se desenvolver em outras áreas importantes, como os estudos e a carreira; (4) mais madura, a pessoa pode se relacionar de maneira positiva com o sexo oposto e entender as diferenças naturais entre homens e mulheres; (5) dizer “não” para aquilo de que discordamos reforça nossa autoestima e solidifica o caráter; (6) manter a virgindade e o controle sobre o próprio corpo reforça o respeito próprio; (7) adiar a iniciação sexual para o contexto matrimonial ajuda a manter o interesse sadio no sexo, pois ele não foi banalizado antes; (8) [e este é por minha conta] aprender a esperar desenvolve a paciência e a confiança no Deus que supre nossas necessidades.[MB]


Escrito por Michelson Borges

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